Fonte: Ministério da Saúde
No Brasil, a rede de monitoramento foi criada em 1999 para avaliar a resistência do Aedes aegypti a produtos usados no controle deste mosquito. Baseado nos resultados dos testes realizados pela rede, o Ministério da Saúde implantou medidas de manejo da resistência a inseticidas. A principal é o uso adequado e racional dos produtos, que devem ser aplicados somente em situações em que outras medidas não são possíveis, como a limpeza e eliminação manual de criadouros.
Atualmente, o Programa Nacional de Controle da Dengue coordena a Rede de Monitoramento da Resistência de Aedes aegypti a Inseticidas, cujo laboratório de referência nacional está localizado no Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Entre as funções da instituição está a coordenação, em conjunto com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, de estudos de avaliação da eficácia, eficiência e efetividade de produtos para controle de Aedes aegypti. Um dos critérios para participar dos estudos é ter avaliação prévia da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Prevenção de focos é a melhor estratégia de combate
Fiocruz
O uso de inseticidas é importante em situações de epidemias, mas a prevenção cotidiana, com a eliminação de criadouros do Aedes aegypti pela população, é fundamental. Conhecer os hábitos do vetor pode ser muito útil nesta tarefa. O Aedes aegypti é um mosquito doméstico, vive dentro ou ao redor de domicílios ou de outras construções frequentadas por pessoas. Está sempre perto do homem e não se aventura às matas. O vetor tem hábitos preferencialmente diurnos e, nos ambientes domésticos, os mosquitos adultos são encontrados com frequência em lugares como atrás de cortinas, em nichos de estantes e embaixo de mesas e cadeiras.
A infestação por Aedes. aegypti é maior no verão, em função da elevação da temperatura e da intensificação de chuvas – fatores que propiciam a reprodução do mosquito. Para evitar esta situação, é preciso adotar medidas permanentes para o controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações preventivas de eliminação de focos do A. aegypti.
Uma única fêmea de A. aegypti pode dar origem a 1.500 mosquitos durante a sua vida. A cada postura, os ovos são distribuídos por diversos criadouros. Um ovo pode resistir até um ano sem eclodir, por isso é muito importante lavar, com escova e palha de aço, as paredes dos recipientes que não podem ser eliminados, onde o ovo pode permanecer aderido.
Do ovo à forma adulta, o ciclo de vida do A. aegypti varia de acordo com condições climáticas, a disponibilidade de alimentos e a quantidade de larvas existentes no mesmo criadouro, uma vez que a competição de larvas por alimento em um mesmo criadouro com pouca água consiste em um obstáculo ao amadurecimento do inseto para a fase adulta. Nas condições típicas do Rio de Janeiro, por exemplo, esse processo geralmente leva um período de oito a doze dias.
Ações reduzem casos e óbitos por dengue em 2009
O último balanço parcial de casos de dengue, divulgado no dia 24 de agosto pelo Ministério da Saúde, apontou redução de 47,9% nas notificações da doença, confirmando tendência verificada nas avaliações já feitas em 2009. A análise comparou os registros de casos de dengue dos estados e do Distrito Federal entre janeiro e 4 de julho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Neste intervalo, em 2009, foram notificados 387.158 casos da doença, contra 743.517 em 2008.
Em 20 estados e no Distrito Federal houve redução no número de pessoas com dengue. O destaque foi o estado do Rio de Janeiro, com a maior queda (96,2%). Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registraram aumento. De acordo com o boletim, com exceção do Amapá, esses estados mais Minas Gerais e Goiás, concentraram 76,9% das notificações de 2009.
Também foi registrada queda (de 80,7%) nos casos graves de dengue, que passaram de 20.229, em 2008, para 3.896, em 2009. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD).
O último boletim mostrou, ainda, uma redução de 65,7% nas mortes em decorrência da dengue. De acordo com dados enviados até o início de julho, houve 156 óbitos este ano, enquanto que no mesmo período do ano passado ocorreram 455.